Câncer de mama: mudança de vida pode diminuir riscos

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Felipe Leonardo Estati, oncologista, integrante do corpo clínico do Onco Center Dona Helena, em Joinville

Estamos vivendo o “Outubro Rosa”. A campanha, celebrada anualmente, desde 1990, tem o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, o câncer de mama é o mais diagnosticado, bem como o mais letal entre as mulheres, sendo responsável por um a cada quatro novos casos de câncer entre as mulheres no país. No mundo, é o mais incidente no sexo feminino: em 2020, 2,3 milhões de mulheres no mundo receberam o diagnóstico.

O câncer de mama acomete uma em cada oito mulheres em algum momento da vida. As mulheres com maior risco são aquelas com casos de câncer de mama em familiares, principalmente de primeiro grau, além de elevar o risco nos casos em que esses familiares são mais jovens ao diagnóstico. Mutações genéticas hereditárias não são encontradas na maioria dos pacientes, porém, a presença de alterações genéticas pode conferir o risco de câncer de mama de até 80% ao longo da vida. Outros fatores de risco relevantes são exposição prolongada a altos níveis de estrogênio (anticoncepcionais mais antigos ou reposição hormonal pós-menopausa), obesidade, sedentarismo, primeira menstruação em idade muito jovem, menopausa em idade muito avançada, ingestão excessiva de álcool e nunca ter engravidado. A média de idade em que o câncer é diagnosticado é por volta dos 62 anos, porém, devido à alta incidência da doença, há também uma significativa incidência em paciente com idade inferior à média.

A principal alteração percebida pelas mulheres será a presença de um nódulo na mama ou na axila. Outras alterações que podem estar presentes:  assimetrias entre as mamas, área de retração, vermelhidão ou inchaço. A terapia em câncer de mama depende de alguns fatores, como estadiamento, subtipo do tumor e condições clínicas da paciente. Quase todas as pacientes sem metástases deverão ser submetidas à mastectomia (procedimento cirúrgico para a remoção de uma ou ambas as mamas), a qual pode ser realizada após tratamento com quimioterapia ou já na fase inicial.

Posteriormente, necessitarão de outras terapias, como radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal. E, para as pacientes que se apresentem com metástases ao diagnóstico ou venham a desenvolver ao longo dos anos, há uma evolução recente importante, destacando-se as terapias-alvo, as quais têm proporcionado controle da doença por muito mais tempo, combinadas à melhor qualidade de vida.

A mudança de vida e preservação desses hábitos ao longo dos anos, com adequação a um estilo mais saudável, será protetiva quanto ao risco da doença. Portanto, importante manter  um peso normal, ou, sendo mais específico: o objetivo principal é não ganhar proporção de gordura corpórea com o envelhecimento e manter nos níveis de normalidade. Isso passa por adotar uma rotina de atividade física, ao menos 90 minutos semanais, e, se possível, escalonar tais exercícios conforme as perspectivas e limitações individuais. Também ingerir alimentos mais saudáveis, incluindo frutas e legumes, com menor consumo de alimentos gordurosos, doces e massas, além do consumo restrito de álcool. Importante frisar que a doença terá alguma chance de recaída nos anos seguintes, mesmo após o sucesso do tratamento inicial. Tanto para as pacientes que nunca tiveram a doença quanto as já em acompanhamento, tais mudanças de hábito terão um importante efeito benéfico: estima-se que poderiam, isoladamente, diminuir 8 mil dos 64 mil novos casos de câncer de mama registrados em 2020 no país em mulheres acima de 30 anos.

A realização de mamografia anual a partir da faixa dos 40 anos, nas mulheres sem fatores de risco adicionais, permite a detecção de lesões em fases mais iniciais, aumentando substancialmente as chances de cura relacionada à doença. Já para mulheres com alterações genéticas hereditárias ou com familiares de primeiro grau que tiveram câncer de mama em idades mais jovens esse rastreio pode começar antes, procurando fazer a ressonância das mamas, se disponível. Em casos de mutações, pode até mesmo ser realizada a retirada bilateral preventiva das mamas em idade mais jovem. Importante também reforçar para as mulheres que ao sentirem alterações na mama procurem o médico, mesmo que fora do período de realização da mamografia. Não atrasar o diagnóstico e o tratamento terá impacto positivo nos resultados.

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